A NUMISMA, prestigiada empresa lisboeta dedicada ao comércio numismático, promove no próximo dia 24 de setembro, a partir das 15 horas, o seu Leilão n.º 149, exclusivamente através da Internet, nas plataformas “Numisma”, “bidspirit” e “bidinside”.
Intitulado “Coleção Abuxarda”, o presente leilão reúne 323 lotes, todos constituídos por peças de ouro, num percurso cronológico que se inicia no Mundo Grego e se prolonga até ao século XXI. O catálogo, de cuidada apresentação gráfica e profusamente ilustrado com excelentes reproduções fotográficas, permite apreciar um conjunto particularmente significativo de moedas, medalhas e barras de ouro, provenientes de diferentes épocas e áreas geográficas.
Embora a diversidade cronológica e geográfica seja assinalável, é a moeda portuguesa que confere a esta venda uma importância muito especial. Entre os lotes dedicados à amoedação do Reino de Portugal encontram-se exemplares de elevada raridade, qualidade e interesse histórico, alguns provenientes de coleções de reconhecido prestígio, circunstância que certamente despertará a atenção dos especialistas e dos mais exigentes colecionadores.
Das primeiras amoedações à moeda visigoda
Os quinze primeiros lotes são dedicados à Antiguidade, reunindo exemplares gregos, romanos e bizantinos, em estados de conservação particularmente interessantes. Entre estes merece referência o aureus de Antonino Pio e Marco Aurélio, cunhado em Roma no ano 140 (lote 7), peça de notável interesse numismático.
Ao período visigodo corresponde um pequeno, mas muito expressivo, conjunto de moedas (lotes 18-29), onde raridade e beleza se conjugam de forma particularmente feliz. Sobressai o tremissis de Reccaredo II, de Eliberri, datado de 621 (lote 22), exemplar de grande raridade que constitui, por si só, motivo suficiente para justificar a atenção dos especialistas nesta área da numismática peninsular.
O esplendor da moeda portuguesa
É, contudo, a partir do lote 32 que o catálogo assume uma dimensão verdadeiramente excecional, com o núcleo dedicado à amoedação do Reino de Portugal, que se prolonga até ao lote 214.
A reunião de tantos exemplares de elevada raridade e qualidade numa mesma sessão de leilão constitui uma circunstância pouco habitual. Para além do seu valor material, muitas destas moedas encerram uma importante dimensão histórica e documental, sendo testemunhos de diferentes períodos da Monarquia Portuguesa e da evolução dos seus sistemas monetários.
Entre os primeiros exemplares, merece destaque o Morabitino de Sancho I (lote 32), peça fundamental da numária medieval portuguesa, seguido pelo Gentil de Fernando I, de Lisboa (lote 33), e pelo raríssimo Justo de João II (lote 35). Este último apresenta ainda uma particular mais-valia para o colecionador atento à proveniência, uma vez que integrou a célebre coleção do numismata Julius Meili, dispersa em leilão pela casa J. Schulman, em 1910.
A sucessão de exemplares de elevado interesse prossegue com o Engenhoso de Sebastião, datado de 1566 (lote 49), cuja extrema raridade é evidenciada pelo reduzido número de exemplares conhecidos — apenas quatro. Segue-se a Moeda de 1678 de Pedro, Príncipe Regente (lote 50), antes de entrarmos no extraordinário conjunto de moeda de ouro de João V, que constitui o núcleo mais extenso desta representação da numária portuguesa (lotes 57-205).
Entre as moedas joaninas, várias merecem particular atenção. Desde logo, o Dobrão de 1724 M (lote 57), a Dobra de 1732 (lote 60) e a Moeda de 1707 (lote 68), estas duas últimas cunhadas na Casa da Moeda de Lisboa. São exemplares que, pela qualidade e pelo interesse histórico, ilustram bem a riqueza da produção áurea portuguesa durante o reinado de João V.
Já no período de João, Príncipe Regente, encontramos a Peça de 1802 (lote 127), de desenho particularmente apelativo, enquanto o reinado de João VI está representado, entre outras, pela rara Meia Peça de 1821 (lote 141), pelo Quartinho de 1821 (lote 144) e pelo Cruzado Novo de 1819 (lote 146).
Maria II e as raridades das antigas possessões portuguesas
O núcleo da moeda portuguesa reserva ainda alguns exemplares que, pela sua notoriedade, dispensam apresentações. É o caso da célebre “Degolada”, a Peça de Maria II de 1833 (lote 156), uma das moedas mais conhecidas e procuradas da numária portuguesa do século XIX. A singular representação do busto da jovem soberana no anverso, associada à tradicional designação desta moeda, contribuiu para a sua particular notoriedade no universo colecionístico.
Pouco depois surge outro exemplar de grande interesse: o Dobrão joanino de 1725 M, contramarcado com o “Escudete Coroado” (lote 160), cuja contramarca e consequente raridade acrescentam um interesse histórico e numismático suplementar.
O percurso pela numária portuguesa termina, neste núcleo, com três lotes provenientes das antigas possessões portuguesas da Índia e de Moçambique. Destaca-se a moeda de 12 Xerafins de Goa, datada de 1840 (lote 212), apresentada em primoroso estado de conservação, bem como as barras de ouro de Maria II, de 2 ½ Maticais (lote 213) e de 1 ¼ Matical, esta última contramarcada com “Roseta”.
São peças que, para além da sua evidente qualidade numismática, documentam a circulação e utilização do ouro nos territórios ultramarinos portugueses, acrescentando ao conjunto uma dimensão histórica e geográfica particularmente interessante.
Um vasto panorama do ouro moderno e contemporâneo
A partir do lote 215 e até ao 322, o catálogo abandona o predomínio da moeda portuguesa para apresentar um vasto conjunto internacional de moedas, medalhas e barras de ouro dos séculos XX e XXI.
Os Estados Unidos da América, a França e, sobretudo, o Reino Unido encontram-se significativamente representados, proporcionando uma interessante panorâmica da produção áurea contemporânea. Este segmento final deverá naturalmente suscitar o interesse não apenas dos colecionadores especializados, mas também daqueles que acompanham o mercado de metais preciosos e procuram peças com simultânea relevância numismática e valor intrínseco.
Uma coleção a assinalar
A “Coleção Abuxarda” afirma-se, deste modo, como um dos conjuntos mais significativos apresentados pela NUMISMA nos últimos tempos. A amplitude cronológica, a qualidade geral das peças e, sobretudo, a concentração de exemplares raros da moeda portuguesa conferem ao Leilão n.º 149 uma posição de particular destaque no calendário numismático de 2026.
Para além das moedas propriamente ditas, merece igualmente uma palavra de apreço o catálogo que as acompanha. A qualidade das fotografias, a apresentação gráfica e a seleção dos exemplares fazem dele um instrumento de consulta particularmente agradável e útil, muito para além da sua função imediata enquanto suporte de uma venda em leilão.
A realização deste evento assume ainda um significado especial por ocorrer no ano em que a NUMISMA comemora 50 anos de atividade. Meio século de presença no mercado numismático português constitui um marco digno de registo e oferece um enquadramento particularmente feliz para um leilão desta natureza.
À NUMISMA deixamos, por isso, os nossos parabéns pela realização deste importante Leilão n.º 149 e pela publicação de um catálogo à altura das peças nele apresentadas. Pela riqueza e qualidade do conjunto, a “Coleção Abuxarda” ficará certamente assinalada entre os acontecimentos numismáticos de maior relevo de 2026.
Rui Centeno
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